CONTEÚDO E MÍDIA
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Qual deve ser o foco do desenvolvimento, o gap ou as forças?

 

Por Maria Candida Baumer de Azevedo – publicação janeiro de 2011, revisto e atualizado em agosto, 2018

Ainda ouvimos, vemos e somos parte de uma lógica de gestão orientada para os pontos fracos. Constantemente nos deparamos com planos de desenvolvimento individual recheados de treinamentos, leituras, projetos e atividades voltados para aprimorar aquilo onde somos ‘mais ou menos’. Haveria algum motivo para isso ser diferente?

Tomando como exemplo o premiado piloto de Fórmula 1, Michael Schumacher: se ele decidisse se tornar recordista mundial em natação e treinasse exaustivamente todos os dias para tanto, poderia ele ser precursor ou sucessor de Michael Phelps? E uma carreira como velocista, poderia ele competir em pé de igualdade com Usain Bolt? Por que motivo Pelé chegou ao ápice na sua carreira como jogador, mas nunca aceitou os convites para se tornar técnico? O que faz dois meninos, com as mesmas oportunidades, que jogam juntos ‘uma pelada na rua’, terem um o estrelato dos grandes clubes e outro o anonimato?

Cada pessoa possui características próprias de personalidade, sendo esta formada até os 2, 7 ou 14 anos de acordo com diferentes linhas de pesquisa. O importante é que aos 18 anos a personalidade está formada para todos nós. O que nos torna mais ou menos brilhantes são as escolhas que fazemos. Muitos seguem uma carreira pois ‘era a vaga em aberto’, ‘foi o que surgiu’, ‘meu pai queria isso de mim’, ‘era o que todos os amigos estavam fazendo’. Escolher caminhos, profissões, situações onde o que temos a oferecer é chave para o resultado esperado, fazer o que nos dá prazer, aquilo no que somos bons de verdade, nos leva a sucessos maiores e mais frequentes!

Então devemos ignorar todas as iniciativas de desenvolver gaps? Mais ou menos.

Devemos aprimorar sim aquilo onde somos ‘mais ou menos’, mas apenas para ‘conviver melhor em sociedade’. Uma pessoa extremamente desorganizada pode aprender a se organizar melhor, mas dificilmente será brilhante a ponto de se tornar um auditor de 5S (e caso venha a ser um, é baixa a chance de que venha a ter prazer nisso). Alguém que detesta números precisa saber o mínimo para conseguir conferir seu extrato bancário ou conferir seu holerite. Um profissional que se relaciona muito bem com clientes e tem elevado poder de argumentação e influência, dificilmente será um sucesso trabalhando sozinho, atuando nos bastidores, isolado.

Certamente se Schumacher investisse energia e tempo na natação, ele teria uma melhora considerável (se comparado ao seu nível atual), mas dificilmente seria tão bom nadando quanto foi como piloto. Pouco provavelmente alcançaria os recordes de Phelps ou de Bolt. Quer saber como isso se traduz em números para o desenvolvimento do indivíduo e resultados da organização? Confira o e-Book Contratando a pessoa certa – a diferença entre 67 e 729%.

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